[Conto] A Princesa Dragão

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Viajei por incontáveis dias, tendo apenas as gotas de orvalho como companhia. Cruzei planícies tão extensas quanto os sete jardins de Anklamon, escalei montanhas que se mesclavam aos céus, venci corredeiras selvagens, vales infestados de morte, florestas negras como a alma de um Demogorgon. Dormi, por tantas noites que já não ouso recordar, coberto tão somente pelo firmamento – a mortalha salpicada de prata cintilante que traz à tona amores há muito submersos no oceano de saudade que inunda meu coração. Faz irromper à memória a imagem das donzelas virginais, belas como uma manhã de primavera, que precisei deixar para trás. Ah, maldita seja a noite: ela me faz lembrar dessas sereias deliciosas! Ah, maldita seja a cerveja: ela me faz lembrar as barangas que peguei para esquecer as tais donzelas virginais que nunca me deram bola! Mas, depois da noite e da cerveja, sempre vem o dia e a ressaca… e também a chance de recomeçar (ou de fazer tudo errado de novo, como acaba acontecendo na maioria das vezes).

É, eu gastei a sola.

Mas depois dessa caminhada toda, cheguei onde queria – uma cidade! O pessoal fala da vida no campo, mas pra mim, nada como uma metrópole acolhedora, com latrinas sendo esvaziadas na calçada, um castelão cercado de guardas imperiais com aquelas caras sisudas que não botam medo em ninguém (as caras não botam, mas as espadas dão um pouco de medo sim, devo admitir…), um mercado cheio de vendedores querendo gritar um mais alto que o outro, uma igreja (porque toda cidade que se preza, por menor que seja, tem que ter pelo menos a igreja, a praça e a sorveteria).  Mendigos fedidos, clérigos fedidos, nobres fedidos e plebeus fedidos (aqui na idade média todo mundo é fedido, menos eu, é claro… quer dizer… bom, deixa pra lá…). Ferreiro, estalagem, loja de itens mágicos, lojas de $1,99 e o estabelecimento mais importante de todos – a taberna!

Afinal, eu sou um bardo. E bardos precisam de tabernas para contar histórias, cantar canções e declamar poesias. Tudo bem que os beberrões raramente ouvem o que nós estamos falando (e mais raramente ainda tiram o escorpião do bolso para retribuir financeiramente o deleite sonoro/literário/visual que proporcionamos), mas tudo em nome da arte, né? Poderia ser pior… poderia precisar vender meu corpinho pra me sustentar (o que indubitavelmente me levaria a óbito por inanição). E agora, sem Lei Rouanet, a gente tem que se virar, né?

Ah, a taberna! Quem já entrou numa, entrou em todas, mas curiosamente sempre me dá um frio na barriga quando piso em uma pela primeira vez.

Ao adentrá-la, vejo o mesmo de sempre – orcs disputando braço de ferro, anões bebendo daquele jeito nojento que metade cai na barba, brigas, um balconista caolho enxugando copos, gritaria e… pelos pentelhos sagrados da deusa do amor… que coisa mais linda! De costas para mim, baixinha e magrinha, do jeito que eu gosto. Cabelos lisos, dourados e serelepes como os raios de sol que derretem a neve após longo inverno. Meu número! Já estou apaixonado. Respiro fundo, tomo coragem e chego ao lado dela, tocando levemente seu ombro e perguntando com minha voz de locutor de duelos de justa:

— Oi, amor, você vem sempre aqui? – cantadas originais sempre impressionam…

— Amor? Tira a mão do meu ombro, maluco! Tá me estranhando, é!?

MALDITOS SEJAM TODOS OS ELFOS. Droga! Será que não percebem que ficam muito femininos com esses cabelos compridos e essa pele bem tratada? Comecei mal a noite. Pego uma birita e fico ouvindo as conversas – uma fada que brigou com a (ex) melhor amiga por causa de um carinha que gosta de se vestir de verde e cantar feito galo, um bicho mais feio que o capeta chorando porque queimaram o anel dele, uma loirinha escoltada por um cavaleiro (que está condenado para sempre ao inferno da friendzone, com certeza), querendo reunir um exército de ex-escravos…

Nada interessante.

Espero todo mundo se embebedar, brigar, xingar, vomitar e voltar a beber. Aguardo chegar a hora daquela depressão coletiva pós-bebedeira, quando todos fazem silêncio ao mesmo tempo. É um momento mágico, que dura poucos segundos – um bardo experiente deve esperar calmamente por essa chance e não desperdiçá-la. Ela demora, mas chega. Sempre chega… CHEGOU! Dou um soco no balcão, fico em pé, faço minha expressão sombria (olhos apertados e sobrancelha esquerda arqueada) e falo alto o suficiente para ecoar e ser ouvido até no canto mais recluso da taberna, mas baixo o suficiente para manter o mistério (e não correr o risco da voz falhar e ficar parecendo uma galinha esganiçada… acredite, isso já acabou com a reputação de muito bardo por aí):

— ALGUÉM AQUI NESTA TABERNA, seja elfo, humano, anão ou qualquer outra raça miserável que rasteja por…

— Ei… não fale assim dos gnomos!

— Desculpe! O “miserável” não foi no sentido pejorativo. Mas vou mudar para não ofender ninguém, ok? Vamos lá… ALGUÉM AQUI NESTA TABERNA, seja elfo, humano, anão ou qualquer outra raça linda que Deus criou nesse mundo, já ouviu a lenda da… princesa-dragão? – Caramba, a loirinha parece que levou um choque ao ouvir isso. Puxou o miguxo e foi embora. Estranho. Bom, azar dela…

Mantenho a expressão sombria e movo os olhos de um lado para outro, encarando semblantes curiosos. Estão quietos, forçando a memória para lembrar e estragar minha noite com uma pergunta do tipo “é aquela que a princesa morre no final?”. Um calafrio percorre minha espinha quando o duende levanta a mão. Droga, por que ele não vai tomar conta do pote de ouro, salvar vidas em aquários ou pintar rodapés em vez de vir aqui atrapalhar os outros? Que gente chata, viu!

— Pois não, amigo duende… conheces a história da princesa-dragão? Seria uma honra ouvi-la narrada por ti, meu querido!

— A princesa-dragão… ela era muito feia?

Ufa!

— Não, pelo contrário! Era bonita, linda mesmo. Dessas que a gente vê na rua e pensa, com aquele espírito de servente-de-obra que todo homem tem: “ôôôô lá em casa!”. Dragão é tipo dragão mesmo, aquele com asa, que cospe fogo e tudo mais. Bom, pelas caras de interrogação, percebo que ninguém conhece a história, não é? Pois bem… vejam essa cicatriz aqui no meu ombro, é a prova de que eu estava lá!

Silêncio, alguns olhares curiosos, poucos bocejos – isso é bom. O elfo está me encarando há algum tempo – isso é ruim. Mas enfim, conquistei a atenção da plateia, agora tenho que conquistar o coração:

— Era uma vez, um reino muito, mas muito distante mesmo. O lugar era um paraíso, a grama era verde e as garotas, lindas. O sol brilhava, os pássaros cantavam, as colheitas eram prósperas, havia fartura, festas, banquetes e bebida por conta do rei, todas as noites.

— Muito distante quanto? Só me fala a direção que vou pra lá é agora! Hua-Hua-Hua! –todos dão risada com a piada do meio-orc. Adoro esses comentários que a plateia começa a fazer ao se envolver com a narrativa!

— Termine de ouvir e talvez desista de ir até lá, meu caro! Bem, mas o reino era um lugar legal, acho que todos pegaram essa parte, né? Era o famoso “se melhorar estraga”. E, quando foi melhorar, acabou estragando mesmo. A única coisa que faltava ali era uma princesa, pois todo reino que se preza tem que ter uma princesa. O rei já possuía um herdeiro para o trono, um rapaz de grande bravura e coragem, que sozinho já havia derrotado uma horda de ciclopes sanguinários… bom, nunca vimos aquele moleque matar nem pernilongo, mas, como era o rei que dizia, a gente acreditava, afinal, ele que pagava nossa cerveja… e também podia mandar quem duvidasse à guilhotina, então pra que criar caso, né? Mas enfim, tudo que faltava era uma princesa e assim que a rainha ficou grávida, o reino entrou em grande festa.

— Como sabiam que era uma menina?

— Ah, devem ter consultado alguma vidente, feito aquele teste do garfo e da colher debaixo da cadeira da rainha, alguma coisa desse tipo, sei lá. Só sei que deram uma baita festa quando descobriram a tal gravidez e programaram uma festa muito maior para o nascimento. Convidaram todas as fadas, dríades e feiticeiras das redondezas, para abençoar a bebê e tal. Se querem saber, eu tentaria deixar fadas, dríades, feiticeiras e qualquer outra criatura com poderes mágicos o mais longe possível se a filha fosse minha, mas cada louco com sua mania, né? Então, convidaram todas, exceto uma feiticeira velha, que todos diziam ter se tornado bruxa, com verruga no nariz e tudo. Na verdade eles até tentaram convidar, mas os mensageiros extraviaram justo essa carta. É a famosa “lei de Merlin”…

— Lei de Merlin?

— É… aquela que diz: “se alguma coisa muito importante tem uma mínima chance de dar errado, então pode ter certeza: vai dar Merlin!”. E deu. Como vocês devem imaginar, a bruxa não ficou nada contente ao descobrir que todas as amigas-e-rivais foram convidadas e ela ficou de fora do rega-bofe. Deve ser chato mesmo, imagino ela entrando no salão de beleza das feiticeiras, todo mundo conversando e de repente aquele silêncio, tipo “o assunto chegou”. Daí ela fica cutucando para descobrir o que é, todas disfarçam até que uma fadinha mais metida a besta fala “a gente foi convidada e você não fô-oi”. É uma sensação desagradável. E daí, sabe como é: mulher não trai, mulher se vinga.

E a velha teve nove meses para planejar a vingança.

No dia do nascimento, todas as convidadas foram até o reino, levar um mimo pra nenê, fazer uma média com a realeza, etc. No meio da rasgação de seda, a bruxa apareceu e o tempo fechou logo de cara, porque a velha já chegou chegando, rogando maldição rimada e o escambau: “A feiticeira anciã deixaram de convidar, agora com as consequências devem arcar. Quando a princesa quinze anos completar, a grande besta há de despertar. O dragão a tomará por esposa, não adianta fazer careta – que o rei prepare o exército e a princesa prepare a…”. Bom, não lembro as palavras exatas, mas foi uma praga terrível, posso garantir. O rei teria quinze anos, mas no fundo sabia que exércitos eram inúteis contra esse tipo de ameaça. Como é de conhecimento geral, a única coisa capaz de vencer um dragão é um príncipe. E, como disse o rei naquela oportunidade, o príncipe em questão não pode ser o irmão da princesa, mas o pretendente. Tenho certeza que ele disse isso só para livrar a cara do filho “forte e corajoso”, mas todo mundo sabia que o moleque não daria conta do recado mesmo. Então, logo começaram os preparativos para achar o tal pretendente. Como haveria bastante tempo, o rei resolveu fazer um desafio épico e selecionar realmente o cara mais digno e valoroso. Eu teria feito uns duelinhos de justa, poderia até rolar uma grana nas apostas, mas sabem como é a realeza… adora inventar moda.

— Não enrola, fala logo qual foi o desafio! – gritou o anão. Ansiedade da plateia, que maravilha!

— O desafio foi o seguinte: o rei ofereceu baús e mais baús de tesouro para o maior arquimago do universo forjar uma espada mágica sagrada superpoderosa com bônus de +5 em todos os ataques. Depois ela foi cravada numa rocha e só poderia ser removida pelas mãos do sujeito mais digno, corajoso, puro e honrado do mundo. Como todo mundo acha que possui tais características (e, além disso, quem não ia querer virar príncipe e viver na mamata pelo resto da vida?), choveu gente pra fazer papel de palhaço tentando tirar a espada da pedra. Só que os anos foram passando e nada da lâmina ceder um milímetro sequer. Também, rapaziada ia lá na base do “não custa tentar”, mais com intenção de dar um golpe do baú que qualquer outra coisa, o que já eliminava muitos logo de cara (bom, eu pelo menos acho que não consegui por causa disso). Preocupado, o rei começou a pensar no “Plano B”: preparar seu exército para enfrentar a terrível ameaça alada, devoradora de heróis e cuspidora de fogo. Só que ele percebeu que seu reino não era pacífico por opção: os homens levavam muito mais jeito pra beber cerveja do que pra lutar, ninguém ali tinha o menor cacoete de guerreiro. Então, partiu para o “Plano C”: promoveu duelos de justa. Se tivesse me ouvido lá no começo, teria economizado um bocado… (decerto algum conselheiro estava de conchavo com o arquimago e acabou levando um por fora na jogada, mas enfim… coisas da idade das trevas). Depois de muitas e muitas batalhas e muitas e muitas apostas (lucrei um pouquinho nessa brincadeira, não vou negar), o torneio chegou ao fim.

Um rapaz extremamente forte (e mais estúpido que uma marmota) venceu, conquistando o posto de futuro príncipe, protetor do reino, matador de dragões. O destemido campeão decidiu não esperar até que a fera atacasse o reino, então partiu sozinho rumo ao encontro da criatura. Após uma longa jornada, chegou à caverna que servia de lar e esconderijo ao monstro e deparou-se com o colossal dragão vermelho ancião… dormindo sobre seus tesouros! Era cravar a lança no olho do bicho e correr pro abraço, mas o cara resolveu dar uma de paladino. Engrossou a voz para falar: “Despertai, terrível besta maligna! Em nome do pacífico reino desprovido de defesas que fica a 853 km a noroeste desse covil pestilento, lutarei contra ti e vencer-te-ei em épica batalha!”. É, eu falei que o rapaz era estúpido. O dragão acordou e fez churrasco de príncipe. Tenho impressão que o bicho nem sabia de nada e a tal maldição não passava de uma “pegadinha” da bruxa, mas agora a criatura estava desperta, sedenta por se vingar daqueles que tiveram a petulância de enviar um idiota para lhe interromper o sono e voou rumo ao reino.

Preocupado com a falta de notícias de seu futuro genro, o rei ordenou que o exército ficasse de prontidão – meia dúzia de gatos pingados que não encaravam nem barata (tudo bem que as voadoras são um caso à parte…). No dia do aniversário da princesa estavam todos lá, empunhando espadas e escudos, fazendo cara de mau, bradando frases clichê para erguer a moral, do tipo “se esse dragão aparecer aqui, vamos acabar com ele!”, “ah, ele não perde por esperar! Não sabe com quem está mexendo!”, “essa lagartixa insolente vai receber o que merece!”. Estava tudo muito bem na teoria… só que quando o bicho apareceu batendo aquelas asonas, meu amigo… o mais corajoso arrancou porteira no peito, pulou fosso, atravessou ponte e não parou mais de correr (a propósito, esse era eu… a cicatriz no ombro é herança de um corte que fiz ao quebrar a porteira). A fera cuspiu fogo, derrubou torres e muralhas. Teria destruído todo o reino, caso no caminho não tivesse visto algo que lhe chamou a atenção e arrebatou seu coração de besta-demoníaca-do-quinto-dos-infernos: a princesa. A menina desceu de seus aposentos e em meio às labaredas disse à criatura: “Aceito cumprir minha maldição, leve-me como vossa esposa. Mas implorar-te-ei: poupe meu reino!”. O dragão (com olhinhos apaixonados, posso jurar!) tomou a princesa em suas garras e se preparava para alçar voo novamente, quando um brado fez-se ouvir, reverberando pelas ruínas chamuscadas: “Pelos cavaleiros da távola redon…”…

— Quem era? Quem gritou? A taverna já está fechando, vai logo!

— Um jovem guerreiro misterioso, forte, alto, destemido, com queixo quadrado de galã de novela, empunhando a espada mágica que outrora estivera cravada na rocha. Desferiu um poderoso golpe no flanco direito do dragão, que tombou urrando de dor, ódio e desespero. O cavaleiro caminhou em direção à cabeça da fera, pronto para dar o golpe de misericórdia, mas…

— Mas o quê? Vamos, homem… para de mistério e desembucha logo de uma vez!

— Mas… a princesa o interrompeu, gritando: “Nãããoooo! Não machuca ele! Ai, sonhei com isso a minha vida inteira, meu! Casar com um monstrão poderoso, forte… cheio de tesouros. Não estraga tudo, seu boboca!”. Nem precisa falar que ficou todo mundo com cara de tacho, vendo a menina tratar a ferida do dragão, dar beijinho no dragão, ficar de romancezinho com o dragão, até o bicho se recuperar e levar ela embora. Foi até bom porque ninguém aguentava mais aquela água-com-açúcar toda. Depois disso, o reino definhou em decadência, a grama continuou verde, mas um verdezinho sem graaaaaça, as mulheres embagulharam, a cerveja esquentou e ninguém nunca mais foi feliz por lá. FIM.

Todos olham para baixo, pensativos. Após alguns segundos de silêncio e introspecção, aquele duendezinho miserável dá o ar da graça:

— Que história mais ridícula!

— Ridícula, mas verdadeira, meu bom duende. Eu vi tudo com meus próprios olhos, exceto as partes em que não estava presente, é claro.

— E qual a moral disso tudo? – perguntou o anão.

— Moral? Por que toda história tem que ter moral?

— Porque senão a gente não fica totalmente preenchido… – respondeu o elfo, dando uma piscadinha que achei melhor ignorar.

— Bom, acho que a moral mesmo é a seguinte: “se você tiver tesouros, pode até ser dragão que vai pegar as princesas”. Mas essa é meio machista, então acho que talvez seja melhor: “mantenha as fadas por perto, e as bruxas mais perto ainda”, ou: “não cutuque o dragão com espada curta”. Ou, sei lá… a arte toca cada um de uma forma, acho que não é legal ficar dando respostas mastigadas, isso faz perder toda a magia. Que tal encarar a história sob esse prisma?

— Continuo achando ridícula! – Vou matar esse duende. Sério.

Eles ficam discutindo um pouco sobre a trama e isso é suficiente para me deixar feliz. Não vou negar, as moedinhas que colocam no meu chapéu também contribuem para minha alegria. A maioria deixou duas, o anão mão-de-vaca deixou uma, o elfo deixou três (e um bilhete que estou com medo de ler) e o duende deixou cinco (desde o começo estou falando que esse cara é gente boa!).

Missão cumprida! Mais um dia sem precisar vender o corpo.

— Senhores, muito obrigado pela atenção e pelas moedas. Principalmente pela atenção, é claro. Agora, vou dormir e espero acordar inspirado para inventar uma nova história verídica para contar amanhã.

Boa noite! 🙂

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