[Crônica] Sobre o Dia dos Pais

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Tirei essa foto há duas semanas. E isso me fez pensar, uma vez mais, sobre como o tempo está passando assustadoramente depressa, porque parecia que tinha sido ontem, ou hoje de manhã, assim como parece que foi o mês passado, ou talvez até um pouco menos, que eu estava lá na maternidade acompanhando a cena que seria o divisor de águas na minha vida. Nunca imaginei que pudesse chorar tanto como chorei naquela tarde de março, 7 anos atrás, vendo e ouvindo meu filho pela primeira vez.

Depois disso não me tornei santo, não comecei a visitar orfanatos, tampouco parei de xingar no trânsito ou coisas do tipo. Mas foi nessa ocasião que aprendi o que é o amor incondicional em seu estado mais puro, belo e brutal, de um jeito que encanta no mesmo passo que assusta. Que te enche de uma alegria tão grande que às vezes fica até difícil respirar e, ao mesmo tempo, te traz preocupações e um bocado de medo, não sem uma pontinha de quase tristeza, do destino que se apresenta inexorável à nossa frente, do tempo que cumpre sua ameaça silenciosa de tudo consumir.

Nesse dia da foto, fomos até o Shopping comprar uns cards de Pokémon e tomamos sorvete, um pouco depois que deixei o rim esquerdo na loja de brinquedos. Era só um sorvete, só um sábado garoento qualquer, como incontáveis outros aqui em São Paulo. Mas meu… quando vi os olhos brilhantes e a inocência em forma de chocolate derretido escorrendo por aqueles dedos que ainda têm dobrinhas e furinhos, senti vontade de ir até o céu, só pra olhar nos olhos de Deus e dizer “Obrigado”. Somente “obrigado”. Somente agradecer por aquele momento absolutamente mágico que me fez chorar que nem besta lá no meio do corredor do Shopping.

Se tudo acabasse ali, ou, melhor, se o tempo pudesse parar somente daquela vez… estaria tudo certo, Deus do céu, estaria tudo certo. Mas o vento ainda sopra e temos que continuar vivendo… sabendo apenas que momentos felizes e tristes nos aguardam, sem a menor ideia da ordem ou da proporção em que virão.

Do futuro, somente a certeza que algumas coisas podem até fugir da memória, mas, mesmo que o Sol deixe de nascer e as estrelas caiam do céu, nunca vão sair do coração.

Aproveitando… dizem que a gente só aprende a ser filho quando se torna pai. Bom, acho que, assim como todas as outras coisas na vida, ainda estou aprendendo, mas a paternidade me fez sentir na pele certas situações e entender coisas que antes eu não entendia, ou não queria entender. Seja como for, gostaria de agradecer, de todo o meu coração, pelas lições de honestidade e caráter que me foram passadas pelo sr. Egydio Delomo Baptista, meu pai, o melhor camisa 7 que eu já vi jogar nos saudosos campos da várzea do Mocidade e Veteranos da Vila Antônia. Infelizmente não herdei seu talento para o futebol, mas tenho feito o melhor que posso (falhando miseravelmente algumas vezes, é verdade) para honrar o nome da nossa família.

Pai, me perdoe pelas minhas falhas, pelas discussões ásperas que já tivemos e por tudo o mais que eu possa ter errado contigo.

E tenha certeza que, apesar de eu não ser a melhor pessoa do mundo para expressar os sentimentos, EU TE AMO.

Você sempre foi e sempre será o meu herói.

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