[Filme] A Chegada

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Fiquei interessado por esse “A Chegada” desde que bati o olho no cartaz. E nem foi por motivos de Amy Adams, mas porque há algo de 2001 nele (de imediato associei as naves aos monolitos do filme do Kubrick). Uma prova de que, apesar de eu lutar contra isso, os filmes acabam se vendendo (entre outras coisas, claro) pelo cartaz, assim como os livros muitas vezes de vendem pela capa.

Decidi que iria assistir de qualquer jeito e li pouca coisa a respeito depois disso. No dia do lançamento, acabei meio que por acaso lendo um comentário que, em outras palavras, dizia: “o filme é foda, só não vá esperando por guerras e explosões”. Pensei “perfeito! Já estou de saco cheio de guerras e explosões”.

E no final, percebi que era exatamente isso: o filme é foda, mas quem for esperando mais um Inpedenpence Day talvez se decepcione.

Um resumão da história, sem spoilers: um belo dia, 12 naves alienígenas pousam em 12 diferentes países da Terra e ficam lá paradas, sem fazer nada. A cada 18 horas, a nave abre uma porta e então os terráqueos entram por lá para tentar estabelecer comunicação com os visitantes e descobrir quais são suas intenções, afinal.

Com essa premissa, “A Chegada” aposta mais no lado psicológico do que na ação, investindo em criar o ambiente de tensão que seria gerado por uma “invasão” alienígena dessa natureza. E nisso o filme acerta em cheio – as tomadas abertas mostrando as naves gigantescas dão uma sensação de estranheza, de ameaça, de algo que não deveria estar ali e não vai sair a menos que queira sair. A primeira vez em que acompanhamos a equipe entrar na nave é genial – simplesmente claustrofóbica. Não tinha essa sensação de estar ali, sentindo o mesmo medo que os personagens, desde o excelente “Gravidade” com Sandra Bullock.

Paralelo a isso (e depois percebemos que a palavra “paralelo” ganha outra dimensão), há uma história de tragédia familiar que vai fornecendo pequenas peças ao longo do filme, para que montemos o quebra-cabeça no final. Essas cenas me lembraram muito a pegada de “A Árvore da Vida” de Terrence Mallick (outro grande filme) e trazem uma mensagem muito legal e uma ideia que dá o que refletir sobre a vida por bastante tempo.

Porém, na junção desses dois ambientes – a FC Hard com a parte “transcendental” – reside o único ponto fraco de “A Chegada”. A solução apresentada para que tudo se encaixasse foi muito fácil e cai naqueles paradoxos de viagem no tempo que são difíceis de engolir. Nada tão absurdo quanto Interestelar, mas que também me fez torcer o nariz.

Não chega a estragar a experiência, pois os pontos positivos superam em muito os pontos negativos, mas deixa aquela sensação de “se não fosse isso, poderia ter sido perfeito…”.

 

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