[Filme] Capitão Fantástico

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Acredito que todo mundo, pelo menos uma vez, já mergulhou num oceano de reflexões filosófico-existenciais-nietzsche-sartrianas e, enquanto escutava a musiquinha do Fantástico anunciando o final de mais um domingo, tenha se questionado algo do tipo: “que porra é essa que eu tô fazendo da minha vida, meu Deus do céu???”.

Seguindo a mesma linha, imagino que “será que estou criando meu(s) filho(s) da maneira correta?” seja uma preocupação comum a boa parte dos pais e mães do “mundo moderno”.

Estudar, arrumar emprego, desperdiçar nosso tempo limitado sob esse sol para ganhar dinheiro e gastar com coisas que não precisamos, movimentar as engrenagens do capitalismo, etc. Talvez a gente não concorde, talvez até se revolte vez ou outra, mas, no final, acabamos matriculando nossos filhos na escola e torcendo para que arrumem um bom emprego no futuro. E quem pode nos culpar? Quais seriam as alternativas?

Essas são reflexões que o ótimo “Capitão Fantástico” nos leva a fazer (ou refazer).

Na trama, Ben (grande atuação de Viggo Mortensen) leva os filhos para morar, literalmente, no meio do mato. Ali eles se exercitam, caçam, estudam, praticam música, leem grandes clássicos da literatura, discutem filosofia e sistemas de governo. Tudo muito bonito à primeira vista. Fiquei com medo de que o filme se restringisse a ser apenas uma “propaganda” anti-capitalista, mas, felizmente, ele é muito mais do que isso. Depois de determinado evento (nem seria tão spoiler, mas melhor evitar os detalhes), a família sai da floresta e parte numa viagem, parando na casa de alguns parentes “civilizados” pelo caminho. Nesses momentos em que os contrastes são escancarados, o filme brilha e proporciona algumas cenas bem engraçadas. E brilha ainda mais quando, já no arco final, nos oferece um contraponto a tudo que vinha sendo apresentado como ideal até então.

É um road movie que foge bastante do convencional, com uma excelente ideia, ótimas interpretações e, sobretudo, que nos leva a pensar bastante sobre a vida (o que não adianta nada, porque acabamos continuando na mesma, mas isso não é culpa do filme). Só não dou 5 estrelas porque me decepcionei um pouco com o final (não é ruim, mas esperava algo mais ousado).

Recomendo muito!

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